Wapping Pier Head (Mad Day Out)

Dando prosseguimento ao nosso Mad Day Out, no último domingo fomos passear na região à margem do Tâmisa onde os Beatles foram fotografados em 28 de julho de 1968.

Essa área a leste de Londres denominada Wapping, na margem norte do rio, agora lembra muito pouco a região das docas do passado.  Os armazéns que existiam no local foram demolidos para construção de edifícios ou revitalizados para servirem de moradia. Vários parques foram construídos à margem do rio…

Percorremos a Wapping High Street, onde os Beatles tiraram as primeiras fotos, mas nada mais do Colonial Warves que aparecia na foto, pois o prédio foi demolido, dando lugar a blocos de apartamentos com frente para o Tâmisa.

À margem, atualmente, há uma calçada,  protegida com grades, para caminhadas e lazer dos moradores e visitantes.

Deste local podemos ter uma visão aproximada do que aparece na foto dos Beatles, com a Tower Bridge ao fundo.

A maioria das fotos dos Beatles foram tiradas no Wapping Pier Head. Os dois prédios (West e East) continuam lá, residenciais agora… mas talvez já fossem antes, pois Paul aparece em uma das fotos conversando com moradoras.

A parte central, entre os dois prédios, que termina em uma rampa para o rio, atualmente é um jardim fechado com grades, só para os moradores.  Inúmeras placas avisam que é proibido entrar ou estacionar no local (talvez tentando afastar os beatlemaníacos). Avançando até onde conseguimos, pudemos tirar algumas fotos.

O acesso ao rio, nesse ponto da Wapping High Street, só é possível por uma escada, no final de uma passagem muito estreita, que inicia entre o pub Town of Ramsgate e o prédio a oeste, a poucos passos do Pier Head. Pudemos observar que é um local muito visitado.

Essa escada (Wapping Old Stairs) tem uma história trágica. No passado – na maré baixa – piratas, contrabandistas e outros malfeitores condenados eram acorrentados na parte de baixo da escada e deixados para morrerem afogados com a subida da maré.

Provavelmente, as fotos de Paul acorrentado fazem referência a esse fato histórico. O lado meio macabro dessa parte da sessão de fotos, com John simulando estar morto, também deve ter a ver com a história do local.

Nosso “Mad Day Out”

Depois de um longo período ausente, estamos de volta a Londres e a este blog. E nada melhor para uma reestreia que resgatar o MAD DAY OUT dos Beatles (ou parte dele).

No  verão de 68, os Beatles estavam no meio das gravações do Álbum Branco e tiraram um dia para posar para novas fotos promocionais.

Don McCullin foi o fotógrafo convidado para passar o dia 28 de julho, um domingo, com os Beatles, fotografando-os em  várias regiões de Londres. Tom Murray – seu assistente - também tirou fotos, que ficaram guardadas por trinta anos, até Murray resolver divulgar esse material. Esse dia ficou conhecido como “The Mad Day Out” (algo como: “Um dia fora da rotina”).

As fotos foram publicadas pela primeira vez na edição da revista Life de 13 de setembro de 1968. Uma delas apareceu também nas compilações vermelha e azul, de 1973. Ficaram bastante conhecidas, pois várias fotos desse dia foram usadas em capas de compactos pelo mundo afora e em inúmeras publicações sobre os Beatles desde então.

Nosso “Day Out” foi bem mais modesto…mas muito gostoso!

Estávamos interessados em conhecer o Cemitério de Highgate, no norte de Londres, onde há o mausoléu de Karl Marx, entre outras figuras importantes.

Por coincidência ou não, na mesma rua, a Swain’s Lane, ficam as casas que aparecem em algumas fotos dos Beatles tiradas nesse dia.

Como podemos ver na comparação acima, as casas permanecem incrivelmente iguais, apenas ganharam uma entrada para carro, com a modificação do portão de entrada, amarelo, que agora é maior e de ferro preto.

Depois de visitarmos o cemitério, que fica em meio a um bosque muito agradável,  e após tirarmos uma foto com Karl Marx, nossa próxima parada foi a St. Pancras Old Church and Gardens.

Conhecer essa igreja e seus jardins foi pura alegria, porque está tudo lá. O banco onde os Beatles foram fotografados (será realmente o mesmo? Há uma placa dizendo que sim.)…

O mesmo memorial (The Burdett Coutts Memorial , de 1879) visível atrás do banco; a mesma fonte (desde 1877, mas atualmente desativada), tudo nos seus devidos lugares!

Tiveram o cuidado de preservar o parque do jeito que era em 1968. Na igreja, inclusive, há um painel que faz referência à sessão de fotos dos Beatles.

Realmente valeu a visita! Quanto às fotos restantes do famoso dia, as internas foram feitas no teatro Mercury (que não existe mais) e na casa Paul (creio que ele não vai permitir nossa entrada para fotografar). Vamos tentar visitar os demais locais externos, como o prédio em Old Street e o pier na margem do Tâmisa. Aguardem!

Nosso dia terminou em um pub no Soho, assistindo a uma jam session de blues regada a alguns pints de cerveja.  What a great day!

Rye – UK

Talvez inspirado pelo MACCA, que está lançando NEW, um novo álbum só de músicas inéditas, depois de um intervalo de seis anos… volto à ativa para comentar um passeio que realizamos para a cidade de Rye, em Sussex, na costa sudoeste da Inglaterra, em maio de 2012.

Hog Hill Mill Studios

Hog Hill Mill Studios


Além de conhecer essa pequena cidade com muitos séculos de história, nosso objetivo era, também, tentar ver onde fica a famosa fazenda e estúdio de Paul McCartney na região.

Em um carro alugado, rumamos para Peasmarsh, um vilarejo próximo a Rye – uma área mais residencial, com grandes propriedades. Logo encontramos a Starvecrow Ln, uma estradinha arborizada onde, em algum ponto que não conseguimos identificar com certeza, fica a entrada para a fazenda de McCartney.

Starvecrow Ln

Realmente, o cara se esconde por ali! Percorremos toda a estrada, prestando a maior atenção. Esperávamos encontrar um lugar todo murado, do tipo “segurança máxima”. Nada disso! Só chácaras… bosques… barulhinho de água. O acesso a Waterfall Estate (Woodlands Farm) ficou para uma próxima vez! Mas só por curtir a região, sentir o clima, já valeu!

De lá, fomos conhecer a parte antiga da cidade, torcendo para encontrar Paul dando uma voltinha por ali! Macca não apareceu, é claro, mas a cidade é de encher os olhos!

Passamos um dia maravilhoso, percorrendo a pé as ruas medievais de Rye. Tudo muito bem preservado, pronto para receber o turista. A praia (com areia!) fica a uma pequena distância.

Paul reside boa parte de seu tempo nessa propriedade de Rye, há muitos anos. Imagine quantas vezes Paul, Linda e os filhos foram vistos caminhando por essas ruas, fazendo compras, almoçando em um dos muitos restaurantes!

No começo dos anos 90, Paul e Linda (fotos acima) participaram ativamente de uma campanha para salvar o Rye Memorial Hospital, fechado em razão de corte de recursos do NHS (National Health Service).  “Think globally act locally”, Paul colocou em prática o lema que defendia. Em 1995, comemoraram a vitória do movimento, com a reabertura do hospital.

No “Anthology” temos várias imagens de Paul, George e Ringo juntos, trabalhando nesse estúdio de Paul em Rye.

Para quem está interessado em conhecer mais sobre a história de Rye, sugiro o site: http://www.viajarpelomundo.com/2012/08/rye-era-uma-vez-uma-cidade-beira-mar.html

Quanto ao novo disco de Paul, em breve posto um comentário, porque por enquanto estou na fase de degustação… e curtição. Sem palavras!

Efeitos colaterais…

Dartford é um município que fica a sudeste de Londres, relativamente próximo do bairro em que estamos morando. Não tem nada de especial, exceto ser a cidade natal de dois integrantes dos Rolling Stones: Mick Jagger e Keith Richards.
Então, porque estava logo ali pertinho… um dia desses fomos conhecer a cidade e ver alguns lugares ligados aos dois roqueiros antes da fama.
O local mais importante nessa história é a própria estação de trem de Dartford, na qual desembarcamos. Foi lá que, em 1961, uns LPs de Chuck Berry que Keith Richards trazia debaixo do braço despertaram o interesse de Mick Jagger, seu antigo colega de escola primária, que também esperava o trem. Interesses em comum, os dois logo marcaram outros encontros e começaram a tocar juntos, dando início à espetacular banda de rock que neste ano de 2012 completa 50 anos de carreira.

Clique aqui para ler a carta que Keith Richards escreveu à sua tia Patty, relatando o encontro com Mick Jagger e os dias anteriores à criação da banda.

Da estação, nos dirigimos ao bairro denominado Temple Hill, onde Keith Richards viveu parte da infância e adolescência. Esse loteamento foi construído para abrigar famílias que tinham perdido suas casas devido aos bombardeios que atingiram Dartford durante a Segunda Guerra Mundial. Keith Richards morava no nº 6 da Spielman Road, em uma boa casa, geminada apenas de um lado, tipicamente inglesa.

Pelo tom da carta de Richards para sua tia, a casa em que Mick Jagger morava, em Wilmington, um bairro um pouco afastado, devia ser muito maior…

De lá fomos procurar a escola em que estudou Mick Jagger, a Dartford Grammar School, a qual atualmente tem como anexo um tipo de centro cultural que leva seu nome (The Mick Jagger Centre). A escola fica na West Hill esquina com a Shepherds Lane. Um prédio muito bonito… tradicional. As “grammar schools” são consideradas escolas mais fortes, para as quais são selecionados os melhores alunos das escolas primárias. Mick era estudioso!

Tudo fechado, porque era feriado, mas pudemos fotografar o exterior do prédio.
Um pausa para o almoço, uma voltinha no centro (toda cidade aqui tem uma high street, que é a rua do comércio).
A relação de lugares “stonianos” era maior, mas tivemos que nos contentar em dar uma olhadinha, de dentro do ônibus, no Livingstone Hospital, na East Hill, o hospital em que nasceram Richards e Jagger, e mais nada…

Só complementando, li em um jornal daqui que foi aprovada a criação de um loteamento nos arredores de Dartford  no qual 13 ruas receberão nomes de músicas dos Stones, como Ruby Tuesday Drive, Satisfaction Street, Lady Jane Walk, Angie Mews, etc.  Creio que ainda não está pronto… É uma tentativa, às avessas, de entrar para o mapa, do mesmo modo que Liverpool ficou conhecido por causa dos Beatles. Só que os Beatles efetivamente amavam a cidade de Liverpool e homenagearam vários lugares em suas canções. Keith Richards e Mick Jagger aparentemente não davam a mínima para Dartford… So… Quem sabe vamos conferir, numa próxima visita…

P.S.- Coincidentemente, hoje foi publicada uma foto no Daily Mail, em que aparecem Mick Jagger (círculo à esquerda) e Keith Richards (à direita), alunos da mesma escola primária em 1951 (Wentworth Primary School, de Dartford). Abaixo reproduzo a foto:

Night Clubs (2)

O Crawdaddy Club, em Richmond, região sudoeste da Grande Londres, é mais um local que tem história. Os Rolling Stones se apresentavam ali, em 14 de abril de 1963, quando os Beatles foram assisti-los pela primeira vez.

(Observamos que no livro Many Years From Now, biografia de Paul McCartney, é mencionada a data de 21 de abril, a qual parece estar errada, de acordo com a “bíblia” de Mark Lewisohn.)

Os quatro Beatles ficaram muito bem impressionados com a performance… e poucos dias depois, George Harrison falou sobre os Rolling Stones a Dick Rowe, executivo da Decca Records – aquele que passou para a história como o homem que recusou os Beatles – com a recomendação de que não perdesse a oportunidade dessa vez. Dick Rowe foi assisti-los no Crawdaddy em 6 de maio de 1963 e imediatamente deu início às negociações para contratação da banda.

Depois dos Stones, os Yardbirds também tocaram lá bem no início da carreira. E até o Led Zeppelin… O nome da revista americana sobre música Crawdaddy!, foi inspirado no clube inglês.

Localizado no nº 1 da Kew Road, no Station Hotel, o Crawdaddy Club ficava exatamente em frente à estação de trem e metrô de Richmond. Devido ao grande sucesso das apresentações dos Stones, mudou-se logo em seguida para um lugar maior, no Richmond Athletic Association, bem pertinho dali.

Até bem pouco tempo atrás, no nº 1 da Kew Road funcionava um pub chamado The Bull.

Recentemente fizemos um delicioso passeio a Richmond e verificamos que agora ali está estabelecido um bar cujo nome é o próprio endereço: One Kew Road.

Bem perto de Piccadilly Circus, na Swallow Street nº 9, na área central de Londres, havia um night club denominado Sybilla’s, totalmente privê e frequentado apenas pelos vips da época. George Harrison era um dos sócios, juntamente com o DJ Alan Freeman, entre outros. A discoteca foi inaugurada em 22 de junho de 1966, com a presença dos quatro Beatles. A foto de Patty Boyd dançando (com Paul ao fundo?) consta que foi tirada nesse dia.

São pouquíssimas as referências a esse night club, provavelmente porque era realmente muito reservado. Sabe-se que John e George compareceram a uma festa de lançamento do álbum Music in a Doll’s House, do grupo Family no Sybilla’s, em julho de 1968.

Nessa época os Beatles estavam gravando o álbum branco e cogitavam colocar o nome de A Doll’s House, mas desistiram ante o lançamento do Family com um nome parecido. Não perderam nada, porque lançar um álbum sem título, com tiragem numerada, acabou sendo algo bem mais interessante e inovador para a época.

O grupo Badfinger (ainda como The Iveys) se apresentou várias vezes no Sybilla’s durante o ano de 1968 e, no dia 9 de outubro, aniversário de John Lennon, Pete Ham cantou “Revolution” em sua homenagem.

No último domingo passamos em frente ao endereço. Ainda é um clube privê (members club), denominado Anaya. Fica em uma pequena rua (calçadão) travessa da Piccadilly, com acesso pela Regent Street. Bem discreto, mal se percebe que se trata de uma casa noturna.


The day I met Yoko Ono…

Segunda-feira 2/4 fomos ao Borderline, uma casa de shows com cara de pub bem próximo da Soho Square (onde fica o prédio da MPL), para assistir a mais uma performance de James McCartney.


O show de James foi muito parecido com o que assistimos em dezembro passado no Barfly. Um pouco mais curto: desta vez não houve bis!
James McCartney parece um pouco mais “solto”, embora ainda cante a maior parte das músicas de olhos fechados! Alguns sorrisos inclusive… Continua interagindo muito pouco com a plateia e faz mínimas apresentações das canções.


A banda, muito boa, torna as canções mais “pesadas” do que encontramos no lançamento oficial em CD e algumas delas já se destacam como favoritas do público – “Angel” e “I Don’t Want To Be Alone”, esta em particular com um notável refrão digno do velho Macca!


Bem, vamos às curiosidades: Já tínhamos estado no Borderline assistindo a um show do norte-americano J.J.Grey & Mofro, um cantor e compositor que mistura blues/rock/country – muito interessante, por sinal – e já conhecíamos o espaço. Chegamos cedo para escolher o melhor lugar, tentando prever por onde um possível convidado ilustre poderia entrar, para nos posicionarmos estrategicamente… Junto de nós alguns representantes do James McCartney Fan Club – isso mesmo ele já tem fã clube! E alguns fãsnáticos do velho Macca prestigiando a segunda geração…

Pois bem, poucos instantes antes de começar o show, para surpresa de todos, entra ninguém menos do que Yoko Ono!! Ela fica bem junto à lateral do palco em área reservada e protegida por seguranças mas ainda assim muito próxima de nós. Próxima o suficiente para, em determinado instante, por entre os seguranças, eu a chamar pelo nome e solicitar uma foto, ao que ela prontamente atendeu me dando um exclusivo sorriso…


Yoko permaneceu durante todo o show muito alegre e interativa, parecia animada com tantos flashes, permitindo até que duas garotas da plateia – a brasileira Ana era uma delas – passassem pelos seguranças e fossem dançar com ela!!!


Yoko Ono, com esta atitude de prestar apoio ao filho de Paul e, principalmente, com a naturalidade com a qual a realizou, contribuiu bastante para reduzir a rejeição que ela sofre há muitos anos. Inclusive minha!!! Então… Dá para avaliar a crise de valores que eu estou enfrentando?
De acordo com o Daily Mail, Stella McCartney também estava presente, mas não a vimos nem ouvimos comentários sobre isso durante o show…


James ainda retornou, pelo fundo da sala, para receber o público para fotos e autógrafos. O número de pessoas interessadas desta vez era maior do que o tempo disponível e não nos foi possível chegar junto dele para novo autógrafo (Infelizmente Ader….vou mandar apenas o ingresso). Desta vez havia muitos jornalistas assistindo ao show e James logo foi chamado para dar entrevistas. Como a maioria deve ter lido, as matérias dos sites de notícia no dia seguinte ao show mencionaram uma possível reunião dos filhos dos Beatles para um trabalho conjunto. The Fab 4 Junior? The Young Beatles? Pouco provável, mas até que seria divertido!

Salisbury Plain e Stonehenge

No dia 19 de março visitamos mais um lugar que foi utilizado para locação do filme Help!. É um local mítico (místico, para alguns), acredita-se que erigido entre 3000 e 1600 a.C., chamado Stonehenge.


Henge
é uma forma arcaica de hang (pendurado/suspenso). Pedra suspensa? Esse conjunto pré-histórico de pedras, que na origem formavam um círculo, fica na planície de Salisbury, uma área campestre distante aproximadamente 13 km do centro de Salisbury. O monumento encontra-se alinhado com o nascer do sol no solstício de verão e com o pôr-do-sol durante o solstício de inverno. Sua finalidade, entretanto, é um mistério.

Detalhe do filme "Help!"

Foi nessa planície que foram filmadas as cenas em que os Beatles cantam “The night before e “I need you (de fundo, ouve-se também “She’s a woman), em meio a uma área de treinamento militar, com direito a tanques e armamentos para protegê-los… explosões e até mesmo um tanque de guerra cedido pelas tropas da Artilharia Real, no qual os Beatles se protegem do ataque dos fanáticos perseguidores de Ringo, devotos da deusa Kaili, com a ajuda de Ahme (Eleanor Bron)… A sequência termina com os Beatles enganando os inimigos, que explodem o tanque, mas os quatro Beatles e Ahme desceram antes, ao passarem por um monte de feno.

Em uma outra cidade próxima dali, Amesbury, fica o Antrobus Arms Hotel, no qual os Beatles se hospedaram em 2 de maio de 1965, por três dias, enquanto duraram as locações na planície de Salisbury. O hotel existe até hoje, oferecendo inclusive uma Beatles Suíte para quem quer se hospedar no mesmo quarto ocupado por eles… Esse local nós não conhecemos, mas fica a dica!

E já que estamos falando no Help!, olhe só o carrinho que encontramos dia desses, na Sloane Square, junto da King’s Road!

Ainda circulam por aí os carros da loja de departamentos Harrods, igualzinhos aos do filme… Muito legal!

Night Clubs

Algumas boates de Londres ficaram muito conhecidas nos anos 60 e 70, por seus frequentadores e também pelas bandas em início de carreira que lá se apresentavam.
Já comentamos aqui sobre o Bag O’ Nails Club,  na Kingly Street nº 9, o lugar onde Paul conheceu Linda, e o Scotch of St James, que ficava em Mason’s Yard nº 13, bem próximo à galeria de arte Indica, onde John conheceu Yoko Ono. Jimi Hendrix tocou nesses dois clubes.

Logo que chegamos a Londres, andando pelo Soho, visitamos o local em que, no passado, ficava The Marquee Club, na Wardour Street nº 90.

Esse lendário night club funcionou nesse endereço de 1964 a 1988 e por ele passaram os nomes mais conhecidos da cena inglesa, tanto no palco quanto na plateia (Rolling Stones, Animals, Yardbirds, Cream, David Bowie, The Who, Moody Blues, Led Zeppelin, entre muitos outros).

The Who no The Marquee Club

No local atualmente estão estabelecidos os restaurantes Meza e Floridita. A entrada do Marquee ficava no lugar onde hoje há a porta de um prédio (Soho Lofts) e nele há uma placa azul da Heritage Foundation, colocada em março de 2009, que estabelece uma ligação com Keith Moon, baterista do The Who (apenas ele, porque só pessoas de reconhecida importância, mortas há mais de 20 anos, costumam ter direito às placas azuis).


Foi numa temporada tocando no Marquee que Pete Townshend deu início à performance de quebrar a guitarra.

Outro night club importante no cenário musical de Londres nos anos 60, até o final dos anos 70, foi o Speakeasy Club, que ficava no nº 48 da Margaret Street, uma travessa da Regent Street, pertinho de Oxford Circus.

No Speakeasy, além de Jimi Hendrix (que tocou em todos os clubes mencionados até agora) apresentaram-se Pink Floyd, Deep Purple, King Crimson, Jeff Beck , Bob Marley, e muitos outros. Entre os frequentadores, os integrantes das principais bandas da época…


São muitas as menções a esses night clubs: George Harrison lembrava-se de ter tido um segundo encontro com Eric Clapton no The Marquee… Paul McCartney conta que foi com Linda e os integrantes do Animals ao Speakeasy, na noite em que se conheceram. Em 3 de julho de 1967, os Beatles recepcionaram os Monkees no Speakeasy (e dizem que a festa terminou às 6 da manhã, com uma jam session de George Harrison, Peter Tork e Keith Moon). The Who refere-se ao Speakeasy no álbum Who Sell Out (entre as faixas “Our Love Was” e “I Can See for Miles”).

Outro dia passamos pelo endereço onde ficava o Speakeasy Club e verificamos que no lugar agora existe uma escola de maquiagem e beleza (London Esthetique). Nada faz lembrar o importante passado. What a pity!

O roll de boates de Londres famosas pelos seus frequentadores nos anos 60 e 70 ainda não acabou.  Em breve postamos a continuação.

Beatles Boutiques

Acho que todo mundo se lembra ou já ouviu falar da boutique da Apple que ficava na esquina da Baker Street com a Paddington Street, em Marylebone, Londres. Inaugurada em 7 de dezembro de 1967, com muito agito, durou apenas seis meses e fechou em 30 de junho de 1968. O prédio original, no qual os Beatles mandaram pintar um imenso mural psicodélico desenhado pelo The Fool (grupo holandês de design coletivo) consta que foi demolido em 1974.

Alvo de muitas reclamações às autoridades locais,  o mural pintado na fachada teve que ser apagado em maio de 1968, sendo substituído por uma pintura branca, com a marca apple (com o A minúsculo).

Visitamos o prédio que existe atualmente no nº 94 da Baker Street.  É um prédio de escritórios com uma fachada no mesmo estilo do prédio antecessor. Na verdade, a fachada atual dá continuidade à fachada do prédio que já havia no meio do quarteirão, apenas o telhado é diferente.

A presença de uma placa azul da Musical Heritage estabelece uma ligação de John Lennon com o prédio, sem informar qual. (Apenas John? Isso deve ser coisa da Yoko…)

Coincidência ou não, nessa mesma rua (Baker Street nº 231/233) fica a London Beatles Store, uma loja totalmente dedicada à venda de merchandise dos Beatles: chaveiros, pins, camisetas, bolsas, toalhas… tudo que você puder imaginar com a marca Beatles.

Em relação às atividades da Apple Corps., um fato que quase ninguém se lembra é que os Beatles se envolveram no lançamento de uma segunda boutique…. A Apple Tailoring (Civil and Theatrical), inaugurada em 23 de maio de 1968, no nº 161 da King’s Road, em Chelsea, uma rua que rivalizava com a Carnaby Street em termos de glamour nos anos 60.

Por sinal, a primeira aparição pública de John com Yoko Ono ocorreu na véspera de sua inauguração, em um almoço na King’s Road e press conference para lançamento da nova boutique. Quando, depois de muito dinheiro investido e perdido nas duas lojas, os Beatles anunciaram que abandonariam esse ramo de negócios, deixaram o controle da Apple Tailoring para o estilista  John Crittle, seu idealizador (com John na foto abaixo).

Em um passeio pela King’s Road, pudemos observar que o endereço é parte de um conjunto de lojas no andar térreo de um prédio, e atualmente ali está estabelecida a empresa Proud Chelsea, uma galeria especializada em arte fotográfica.                        .

(Observe o piso da calçada junto à porta de entrada, na foto de John posando de modelo. Parece que ainda é o mesmo!)

A Kings’s Road continua interessante, com um comércio de nível alto, bons restaurantes… Almoçamos em um pub charmoso e antigo, bem próximo do local onde ficava a boutique, o Chelsea Potter, e ficamos divagando sobre a possibilidade de algum Beatle ter estado ali… Londres tem dessas coisas!

Cerca de duas quadras dali fotografamos a casa em que Caetano Veloso e Gilberto Gil moraram no tempo de exílio, de 1969 a 1972, a qual fica na Redesdale Street nº 16, em Chelsea. Uma casa de esquina, três andares mais o basement, situada em uma rua muito tranquila, mas convidativamente próxima da King’s Road que, à época, era um point. (Parece que há uma solicitação no sentido de que seja colocada uma plaquinha azul também nessa casa, para que o local entre no roteiro dos turistas brasileiros…)

"The Sixteen Chapel" apelido da casa de Caetano e Gil em Londres

Virando a esquina chegamos à Flood Street, rua onde ficava o estúdio fotográfico de Michael Cooper (nº 1-11) no qual, em 30 de março de 1967, foi feita a foto de capa do álbum Sargent Pepper’s (Chelsea Manor Photografic Studios).

1-11 Flood Street

1-11 Flood Street

É… Como diz o nosso amigo Johnny, esta é uma “terra santa”… É coisa demais para um dia só!  Abaixo, assista a um vídeo da época.

Ringo 2012

E nosso Ringo Starr encontrou há tempos sua zona de conforto e continua nos fornecendo trabalhos que, se não causam nenhuma surpresa positiva, também não desagradam. 2012 é mais um álbum de Ringo na mesma trilha que ele vem percorrendo desde Weight of the World (um grande disco).

O que falta a 2012 são as colaborações especiais de grandes amigos de peso (George, Paul …), que agregavam o algo mais a muitas canções de álbuns anteriores (um magnífico solo aqui, um irresistível backing vocal ali…).

O próprio Ringo se encarregou da produção do álbum (como ele já disse no álbum anterior, Y Not?) e conta com participação de Joe Walsh e Dave Stewart. No mercado americano, além do CD e vinil, foi lançada também uma edição especial, que traz um DVD bônus, com comentários de Ringo sobre o álbum.

Esse novo trabalho de Ringo é uma agradável coleção de canções (se bem que econômica, com seus menos de 30 minutos), que passa por regravações de ídolos: Buddy Holly (“Think it Over”) e Lonnie Donegan (que embora não seja o autor, tornou conhecida a canção “Rock Island Line”); e regravações de coisas suas: “Wings” (do fraquíssimo Ringo The 4th) e “Step Lightly” (do magnífico Ringo de 1973). “Think it Over” com Ringo, por sinal, também faz parte do tributo a Buddy Holly intitulado Listen to Me, que tem ainda Brian Wilson, Jeff Lynne, Stevie Nicks, entre outros.

Apenas cinco canções novas, todas de sua coautoria (parcerias com Glen Ballard, Van Dyke Parks, Gary Nicholson, Dave Stewart e Joe Walsh). Uma das inéditas, “In Liverpool”, dá continuidade a uma série de canções de cunho autobiográfico (“The Other Side of Liverpool” do Y Not de 2010 e “Liverpool 8” do CD com o mesmo título, de 2008), com suas lembranças dos tempos de início da carreira na cidade natal; todas elas compostas em parceria com Dave Stewart, ex-parceiro de Annie Lennox na dupla Eurythmics.

Em resumo: mais um trabalho de Ringo do qual – e aqui ESPERO queimar minha língua – não ouviremos nada na próxima versão da All-Starr Band que já está anunciada para 2012!


E para que não pairem dúvidas, já de antemão esclareço que este nosso comentário acabou ficando muito mais curto que o anterior, dedicado ao novo CD de Paul McCartney, não por qualquer preferência nossa. Não conclua desta forma! O tamanho do comentário é apenas proporcional ao tamanho do esforço dos artistas na confecção de seus discos.