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Nosso “Mad Day Out”

Depois de um longo período ausente, estamos de volta a Londres e a este blog. E nada melhor para uma reestreia que resgatar o MAD DAY OUT dos Beatles (ou parte dele).

No  verão de 68, os Beatles estavam no meio das gravações do Álbum Branco e tiraram um dia para posar para novas fotos promocionais.

Don McCullin foi o fotógrafo convidado para passar o dia 28 de julho, um domingo, com os Beatles, fotografando-os em  várias regiões de Londres. Tom Murray – seu assistente – também tirou fotos, que ficaram guardadas por trinta anos, até Murray resolver divulgar esse material. Esse dia ficou conhecido como “The Mad Day Out” (algo como: “Um dia fora da rotina”).

As fotos foram publicadas pela primeira vez na edição da revista Life de 13 de setembro de 1968. Uma delas apareceu também nas compilações vermelha e azul, de 1973. Ficaram bastante conhecidas, pois várias fotos desse dia foram usadas em capas de compactos pelo mundo afora e em inúmeras publicações sobre os Beatles desde então.

Nosso “Day Out” foi bem mais modesto…mas muito gostoso!

Estávamos interessados em conhecer o Cemitério de Highgate, no norte de Londres, onde há o mausoléu de Karl Marx, entre outras figuras importantes.

Por coincidência ou não, na mesma rua, a Swain’s Lane, ficam as casas que aparecem em algumas fotos dos Beatles tiradas nesse dia.

Como podemos ver na comparação acima, as casas permanecem incrivelmente iguais, apenas ganharam uma entrada para carro, com a modificação do portão de entrada, amarelo, que agora é maior e de ferro preto.

Depois de visitarmos o cemitério, que fica em meio a um bosque muito agradável,  e após tirarmos uma foto com Karl Marx, nossa próxima parada foi a St. Pancras Old Church and Gardens.

Conhecer essa igreja e seus jardins foi pura alegria, porque está tudo lá. O banco onde os Beatles foram fotografados (será realmente o mesmo? Há uma placa dizendo que sim.)…

O mesmo memorial (The Burdett Coutts Memorial , de 1879) visível atrás do banco; a mesma fonte (desde 1877, mas atualmente desativada), tudo nos seus devidos lugares!

Tiveram o cuidado de preservar o parque do jeito que era em 1968. Na igreja, inclusive, há um painel que faz referência à sessão de fotos dos Beatles.

Realmente valeu a visita! Quanto às fotos restantes do famoso dia, as internas foram feitas no teatro Mercury (que não existe mais) e na casa Paul (creio que ele não vai permitir nossa entrada para fotografar). Vamos tentar visitar os demais locais externos, como o prédio em Old Street e o pier na margem do Tâmisa. Aguardem!

Nosso dia terminou em um pub no Soho, assistindo a uma jam session de blues regada a alguns pints de cerveja.  What a great day!

Endereços dos Beatles em Londres (2ª parte)

Quando deixaram o apartamento da Green Street, ao término do contrato de um ano, Ringo e George dividiram um apartamento no Whaddon House, um prédio meio escondido, que fica em uma rua sem saída chamada William Mews, travessa da William Street, em Knightsbridge. Esse bairro, muito elegante, fica relativamente próximo do Palácio de Buckingham e de uma região cheia de embaixadas.
O último andar desse prédio era habitado por Brian Epstein desde 1963 e George e Ringo mudaram-se para um outro apartamento em 1964. Tivemos alguma dificuldade para encontrar o local, porque não figurava em nosso mapa, por ser uma rua particular.
Quando estávamos fotografando, um casal relativamente idoso que saía do prédio, acompanhado de uma senhora mais idosa ainda, mostrou-se interessado no motivo das fotos. Explicamos que aquele tinha sido um dos primeiros Beatle endereços em Londres, e comentamos sobre o nosso blog.


Pois bem, eles não só sabiam, pois moravam ali desde aquela época, como também nos deram uma dica para ilustrar o blog: a foto de George em seu Jaguar, que tinha sido tirada naquela rua, em frente ao prédio. Fomos procurar a foto e, yes… lá estava o edifício (ou parte dele, ao fundo, à esquerda)! De acordo com o casal, Ringo e George moraram no último andar, ao lado de Brian Epstein, informação que contraria o afirmado na biografia de Paul, Many Years From Now, segundo a qual o apartamento ocupado por eles seria o do andar de baixo. Whatever


Algumas quadras dali, no nº 24 da Chapel Street, em Belgravia – o bairro das embaixadas – fotografamos o prédio para onde Brian Epstein se mudou em janeiro de 1965 e residiu até sua morte em 1967. Nesse apartamento, no último andar do edifício, foi realizada a festa de lançamento do álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, em 19 de maio de 1967. Nesse evento ocorreu o segundo encontro de Paul e Linda, convidada por Paul como fotógrafa. São dessa data suas primeiras fotos dos Beatles.

Beatles no lançamento do álbum Sgt Pepper's - foto tirada por Linda

Beatles no lançamento do álbum Sgt Pepper's - foto tirada por Linda

O próximo endereço de Ringo foi o apartamento de dois andares – térreo e subsolo – do nº 34 da Montagu Square, em Marylebone. Embora Ringo tenha residido pouco tempo nesse endereço, manteve o apartamento por alguns anos, cedendo-o inclusive para Jimi Hendrix por um período, e depois para John Lennon e Yoko Ono, que moraram ali por alguns meses. As fotos da capa do álbum Two Virgins foram tiradas nesse apartamento.

O prédio foi catalogado como English Heritage por seu valor histórico e atualmente há uma placa afixada informando que John residiu no local em 1968. Ringo acabou vendendo seus direitos sobre o imóvel em 1969, depois de a polícia ter encontrado drogas no apartamento, no incidente que culminou com a prisão de John.

Bem, esses são endereços de moradia dos Beatles e de Brian Epstein na parte central de Londres. As demais casas em que residiram ficam fora da cidade. Se conseguirmos visitar, postaremos aqui.

P.S.: Encontramos algumas fotos dos Beatles nos lugares mostrados aqui. Enjoy!

24 Chapel Street

34 Montagu Square


34 Montagu Square

Crosby & Nash no Royal Albert Hall

Já estive em Londres algumas vezes, mas em nenhuma delas tive a oportunidade de conhecer por dentro um dos locais mais iconizados como palco de bons concertos de rock, o Royal Albert Hall.
Desta vez, David Crosby e Graham Nash me proporcionaram a oportunidade que sempre faltou. Crosby afirma durante o show que este é o melhor local do mundo para se tocar. Não posso avaliar essa afirmação sob o ponto de vista do artista no palco, mas como espectador o ambiente realmente impressiona pela arquitetura, amplidão e principalmente pela perfeita acústica para apreciar música.
Os Beatles poucas vezes tocaram no Royal Albert Hall, apenas no início da carreira, como em 15 de setembro de 1963, quando pela primeira vez os Beatles e os Rolling Stones participaram do mesmo evento (The Great Pop Prom); ou ainda em 18 de abril de 1963, na apresentação para a BBC em que Paul McCartney conheceu Jane Asher.
O incrível Concert for George, em 29 de novembro de 2002, também foi nesse palco, e imagino como deve ter sido emocionante assistir, ao vivo, em um ambiente tão nobre, à mais sincera e tocante homenagem já prestada a um artista.


Para falar da apresentação de Crosby e Nash preciso começar por Paul McCartney. Macca já declarou mais de uma vez que a forma que ele usa para selecionar o repertório (set list) de seus shows é baseado na expectativa que ele, Paul, teria ao assistir a um show de qualquer artista famoso. Ele se coloca na posição de um indivíduo qualquer pensando: “o que eu gostaria de ver fulano de tal tocando neste show”.
Talvez por essa razão os shows de Paul, para quem os assiste com frequência (os fãs assíduos), tornam-se repetitivos (Let It Be, Long and Winding Road, Hey Jude, Yesterday, Band on The Run…). Eu, por exemplo, vivo reclamando disso… Entretanto, as pessoas, que não os fãs inveterados, gostariam de ver o show montado com as músicas que elas mais conhecem, invariavelmente os hits do artista. Macca tem razão!

Fui para o Royal Albert Hall tendo na cabeça as canções que mais gosto de Nash e Crosby. Curto profundamente a obra desses caras (incluindo as formações com o Stills e o Young), mas não sou um típico fã de carteirinha. Tenho, acredito, a grande maioria dos discos deles e portanto conheço sua obra de forma quase completa. Mentalmente criei meu set list para o show. Boa parte do que eles tocaram coincidiu: “I used to be a king”, “Almost cut my hair”, “Guinnevere”, “Chicago”, “Just a song before I go”, “Teach your children”…
Mas não deixei de ficar frustrado ao ver que muito espaço do show foi preenchido com canções que, nem de longe, estão na minha lista de preferências e muito menos fazem parte das mais conhecidas deles. Crosby em um momento declara: “Eu sou o cara que, em qualquer banda que esteja, tem o trabalho de escrever as estranhas porcarias” (tradução quase literal de sua frase: Everybody here knows that whatever band I’m in, I have the job to write the weird shit). E Crosby tem um espaço enorme no show…

As formas de composição mais estranhas de Crosby sempre serviram para ser o contraponto ao estilo mais melódico de Nash. Está nesse equilíbrio, talvez, o segredo da longevidade bem-sucedida da dupla. Para cada “Teach your children” de Nash há sempre algum “Almost cut my hair” de Crosby e para cada “Guinnevere” de Crosby tem sempre algum “Our house” de Nash.
Invariavelmente os arranjos colocaram um “peso” maior no tratamento de canções já elétricas (“Military madness”, “I used to be a King”) e ficou em segundo plano o lado mais acústico da dupla.


Duas excelentes surpresas: “Eight miles high” dos Byrds na abertura do show: excepcional! E, após o intervalo (isso mesmo, parece que no Royal Albert Hall sempre há um intervalo de cerca de 20 minutos para se tomar um “pint” de cerveja), abrindo a segunda parte, Nash convidou Allan Clarke, antigo companheiro no grupo Hollies e os dois cantaram juntos “Bus Stop”, hit da banda de 1966. Nash logo em seguida classificou a música como um “nonsense”, mas a platéia – quase 100% de “seniors” – adorou e cantou junto.
David Gilmour, amigo de todos, foi mencionado duas vezes. A primeira quando o show foi dedicado a ele e a segunda quando Nash, apresentando os membros da banda, informou que o baterista, Steve DiStanislao, foi “roubado” do grupo que acompanhava Gilmour. Os outros membros do grupo são Dean Parks (guitarra), Kevin McCormick (baixo), e o filho de Crosby, Jeff Raymond (teclados).
Para encerrar, “Wooden Ships”, exageradamente alongada pelos momentos de solo de cada instrumento da banda: gaita, baixo, guitarra, teclado. Meio “boring” (desculpe, Pepe!).
No bis, para todos saírem com sorrisos nos lábios, eles tocaram “Chicago” do primeiro disco solo de Nash e, em seguida, “Teach your children”. Essa não poderia faltar!!

Veja o set list:

1.  Eight Miles High   2. I Used to Be a King 3.  Long Time Gone   4.  Marrakesh Express    5.  Lay Me Down 6.   Old Soldier 7.   Just A Song Before I Go   8.  Slice Of Time (música nova de Crosby)  9.   Don’t Dig Here 10.   Critical Mass 11.   Wind On The Water 12.   Almost Cut My Hair 13.   Bus Stop  (com Allan Clarke) 14.   Our House  15.   Guinnevere   16.   In Your Name 17.   What Are Their Names? 18.   They Want It All 19.   Taken at All 20.   Orleans 21.   Cathedral    22.   Deja Vu   23.   Military Madness 24.   Wooden Ships    Bis: 25.   Chicago 26.   Teach Your Children