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Macca no O2

Durante meus anos de trabalho dentro de empresas por muitas vezes brinquei com os colegas que o melhor dia da semana era a segunda-feira, contrariando as caras feias normais desses dias. Afinal, a segunda-feira é o dia da semana mais longe da próxima segunda-feira… Os londrinos tiveram nesta segunda-feira uma outra importante razão para concordar comigo: Paul McCartney no O2!


E o velho Macca fez com incrível competência o seu papel.
Show marcado para as 20:00h. Tomamos o trem por volta das 18:00 e duas conexões depois estávamos já no O2, às 18:30h.
Depois de um pequeno lanche com nosso filho Daniel, sem qualquer correria ou afobamento – dentro do complexo que é o O2 há dezenas de restaurantes – fomos para nossos lugares na Arena. Ótimos, bem de frente para o palco.
Enquanto aguardávamos, os telões mostravam uma montagem muito criativa de fotos, desenhos e vídeos sobre a carreira de Paul, tudo com uma trilha sonora especial também de trabalho dele.

Tempo suficiente também para admirar o espaço da Arena e a organização primorosa.

Com pequeno atraso, aproximadamente às 20:20h, entram Paul e sua banda e começa o show: Hello Goodbye.
Quando assistimos à apresentação de Crosby e Nash, comentei a respeito do set list. Neste tipo de show (lugar amplo e para plateias grandes) é inevitável que Paul fixe seus clássicos como repertório indispensável (Let it be, Yesterday, Blackbird, Hey Jude, Lond and Winding Road, Band on the run, Jet, Eleanor Rigby, Live and let die…).

Mas ele incluiu algumas novidades nesta temporada de shows (Junior’s farm, The night before, Come and get it, The Word – All you need is love) e recolocou outras não tão frequentes (I will, Meddley final do Abbey Road), de tal forma que o show ficou maravilhosamente atraente, mesmo para quem já viu o Macca por várias vezes.
A banda é ótima e os anos todos que tem de convívio no palco garantem perfeita unidade. Não são uma banda cover dos Beatles (ou Wings). Paul claramente não deseja isso. Muitas liberdades são tomadas pela banda na execução das canções. Os solos (inclusive os executados pelo próprio Paul), algumas passagens dos vocais e bateria não são os mesmos, propiciando pequenas visões de como Paul encara sua música e de como ele é capaz ainda de se entregar a ela como criador. Paperback writer, I’ve got a feeling, The Word mostram pequenas explorações de formas de interpretação alternativas.

Quanto ao roteiro do show, Paul realmente tem um script definido. Talvez esse seja um dos pontos que mostram seu incrível profissionalismo e uma das razões que conduzem a um show perfeito. A fala de introdução da homenagem a George, a explicação sobre Blackbird, a regência do coro do público no final de Hey Jude poderiam até ser pré-gravadas. Está tudo incorporado a um tipo de charme que tem a sua apresentação. Se ele resolvesse mudar algo relativo a isso tudo, logo viriam comentários do tipo (como diria o saudoso humorista José Vasconcelos): – Ué, ele não fez aquilo! – e então ele continua fazendo, e agradando.
E ainda vou descobrir a razão de, durante o tributo ao George (Something), dezenas de fotos de George serem mostradas nos telões, enquanto no tributo a John (Here today) apenas o planeta Terra permanecer girando no fundo do palco!
Ainda tivemos uma surpresa. Antes de iniciar a apresentação de Get Back, Paul chama um convidado especial: Ron Wood dos Rolling Stones. Ron toca com a banda e participa dos agradecimentos junto com o grupo, ao final do primeiro bis.


Se alguém me pedisse para definir em poucas palavras ou poucos minutos as razões pelas quais eu gosto tanto de Paul McCartney, talvez isto pudesse parecer difícil. Mas eu lhe pediria apenas para ouvir o meddley final do Abbey Road: Golden Slumbers – Carry that weight – The end. Em apenas 5:18 minutos temos, na minha opinião, o melhor resumo da genialidade e versatilidade musical de McCartney. Terno e cândido, grande vocalista, multi-instrumentista, agressivo roqueiro, excepcional arranjador e ótimo letrista:

IN THE END THE LOVE YOU TAKE

IS EQUAL TO THE LOVE YOU MAKE

Thanks Macca